NARRATIVAS E REPRESENTAÇÕES HISTÓRICAS: O HUMOR POLÍTICO NAS CHARGES DE HENFIL

Giovanna Carrozzino Werneck, Priscila de Souza Chisté Leite

Resumo


Este trabalho tem como proposta analisar como as charges criadas pelo cartunista Henfil durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985) podem produzir sentidos e narrativas que representam a vida cotidiana de uma época. Inicia-se com análise discursiva e histórica das charges que, tendo também o traço como texto, produzem enunciações sobre o real por meio de narrativas e imagens que delineiam representações, designando um lugar e memória coletivos, espécie de matriz espaçotemporal de onde várias histórias se contam e se ressignificam. Em seguida, é apresentado o contexto de produção das charges de Henfil, as quais exteriorizam o engajamento, a contestação política e a crítica aos costumes, pelo humor que desestrutura a ordem vigente e leva o leitor a produzir outros sentidos para a realidade. A partir de pesquisa bibliográfica dialoga-se com autores que voltam seu olhar para a produção de Henfil, como Pires (2007, 2010), Malta (2008), Souza (1985) e Moraes (1996). Para análise das charges como forma de narrar e representar a história e uma memória coletiva valendo-se do humor politicamente engajado, da ironia e da carnavalização, interagimos com Halbwachs (2006), Brait (2008, 2013), Bakhtin (1993, 1998) e Travaglia (1992). Tais autores nos ajudam a pensar que as charges henfilianas e suas narrativas possibilitam a compreensão do imaginário de uma época ao olhar para o passado não como uma instância imóvel que admite apenas um sentido, pois se encontra em movimento dialético com as condições alteradas do presente, lugar autônomo de permanente reavaliação.

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