ESCULTOR DE EL-REI: MACHADO DE CASTRO DE COIMBRA NA CORTE LUSA (1770-1787)

Juliano Gomes

Resumo


Esta comunicação tem como objetivo central apresentar os resultados parciais de nossa pesquisa sobre a trajetória do escultor Joaquim Machado de Castro (1731- 1822), no quadro da Modernidade Ibérica, em Portugal, e suas particularidades no que tange aos usos áulicos da arte e a condição do artífice na Corte brigantina do Setecentos. Buscamos recompor os contextos que marcaram sua ascensão dentro da corte, assim como as redes de interlocução articuladas por Machado de Castro nesse transcurso. Dada a longevidade da atuação profissional de Machado de Castro, optamos por um recorte que traduz, em nosso entendimento, o ponto máximo de sua carreira, 1770- 1787. O marco inicial refere-se à vitória no concurso régio de 1770 para a execução da Estátua Equestre de D. José I, descerrada em 1775. Tal evento marca a fixação do escultor na corte e o início de uma série de mercês que lhe permitiram uma posição de destaque frente a seus pares. Interessa-nos acompanhar os meandros de tais articulações, que resultaram em sua designação como Escultor da Casa Real (1782) e, finalmente, na abertura das Aulas Públicas do Desenho Nu, em 1787, sob sua direção. Acompanhar a trajetória política de Machado de Castro passa por esquadrinhar sua rede de sociabilidade, para compreender seu contributo, assim como sua relação com os artistas coevos que atuaram em trabalhos conjuntos ou paralelos aos seus na Corte lusa. Para além disso, interessa refletir sobre as finalidades as quais se destinavam os trabalhos de arte encomendados pelo Estado português, em momentos distintos, entre o governo josefino (1750-1777) e o mariano (1777-1816), dentro da lógica do Ancien Régime. Para tanto, lançamos mão de algumas obras essenciais, dentre as quais destacamos a Descripção analytica da execução da estatua equestre, erigida em Lisboa á gloria do Senhor Rei Fidelíssimo D. José I (1810), de Machado de Castro, também a Colecção de Memórias, relativas a’s vidas dos pintores, e escultores, architectos, e gravadores portuguezes, E dos Estrangeiros, que estiverão em Portugal (1823) do pintor Cyrillo Volkmar Machado e por fim a compilação intitulada Joaquim Machado de Castro – Escultor Conimbricense. Notícia Biográfica e Compilação dos seus Escritos Dispersos (1925), organizada por Henrique de Campos Ferreira Lima. Este é um trabalho de cunho biográfico que visa, sobretudo, reconstituir essas trajetórias a partir dos apontamentos de Pierre Bourdieu (1996), Sabina Loriga (1998) e outros.

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