A RECONQUISTA COMO MITO UNIFICADOR: A LEGITIMIDADE DA COROA CRISTÃ CASTELHANA NA BAIXA IDADE MÉDIA

Ludmila N. Santos Portela

Resumo


A história da Península Ibérica na Idade Média foi marcada pela diversidade cultural. A convivência entre muçulmanos, judeus e cristãos era, em grande medida, conflituosa, permeada por guerras, debates teológicos e segregação social. Entre os séculos XI e XIV, as coroas cristãs lutaram ferozmente para reaver o controle do território ibérico, que havia sucumbido diante do avanço muçulmano no século VIII. Esse esforço de Reconquista, entretanto, não tinha como motivação principal a disputa por terras, mas o reconhecimento da autoridade real emanada de Deus. Essa concepção de poder contribuiu para tornar possível a unificação de territórios onde se misturavam línguas, costumes, sistemas políticos, esquemas econômicos e legislações diferentes, o que correspondeu, na prática, à legitimação do conceito de cristandade. A Reconquista pautou-se, pois, em uma realidade de avanço militar dos reis cristãos, até então contidos nos reinos ibéricos do norte, em direção ao sul. Mas constituiu, também, um mito justificador da autoridade desses reis, garantindo a submissão das comunidades conquistadas a um poder “unificado”.

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