CRISE DE 1929 E DITADURA DE 1964: FAMÍLIA, RELIGIÃO E PÁTRIA EM (IM)POTÊNCIA EM O REI DA VELA, DE OSWALD DE ANDRADE

Maria Eduarda Pecly Lopes

Resumo


O presente trabalho tem como proposta investigar como o tripé das instituições sociais (Igreja, família e pátria) muito citadas da peça O rei da vela (1933), de Oswald de Andrade, servem como instrumentos para a consolidação de governos fascistas. A tragédia brasileira narra a história de Abelardo, agiota que se aproveitou da crise cafeeira no Brasil para fazer empréstimos à elite, com altas taxas de juros. Abelardo cresce economicamente por meio da exploração para com os outros, no entanto não possuía o prestígio de um aristocrata e precisava de um sobrenome para adquirir pleno status social perante aos outros. Para isso, casou-se com Heloísa, uma aristocrata falida que apesar de sua situação financeira não ser muito boa, conseguiu se reerguer economicamente com o dinheiro de Abelardo. O contexto histórico dessa tragédia se passa no Brasil pós-queda da bolsa de Nova Iorque de 1929 e na ascensão da ditadura varguista. Apesar de a peça ter sido escrita em 1933, a encenação aconteceu apenas em 1967, três anos após o golpe militar. Nesse sentido, encaminha-se a discussão para a percepção de como a Igreja, a família e a pátria são instituições que possuíram – e possuem – grande relevância para a implementação de estados totalitários cujas consequências foram o Estado Novo de Getúlio Vargas e a ditadura militar no Brasil. Para embasar este estudo, utilizar-se-á como referências críticas e teóricas Haroldo de Campos, Louis Althusser e Aristóteles.

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