A ÉTICA E A CONCEPÇÃO RELIGIOSA DE ISIDORO DE SEVILHA: O “LIVRO DAS SENTENÇAS”

Sergio Alberto Feldman

Resumo


Isidoro de Sevilha, cognominado o Hispalense viveu numa era de transição, que se sucedeu a queda do império Romano do ocidente, no final do séc VI e na primeira metade do séc. VII. Irmão do bispo de Leandro de Sevilha, sucedeu-o na diocese hispalense. Autor de vasta obra exegética e doutrinária, fundamentada no saber clássico e na patrística, foi conselheiro de reis, líder de dois concílios da igreja ibérica. Muitos o consideram um dos últimos “padres da igreja”, Sua obra exegética objetiva provar a verdade da fé cristã, através de leitura alegórica e tipológica. Sua maior obra teológica foi o “Livro das Sentenças”, no qual explica toda a sua concepção de mundo: Deus, homem, igreja, os pecados, o castigo, a oração, a “lectio divina”, a política e o final dos tempos. Nossa apresentação pretende descrever e analisar a visão de mundo isidoriana, vista através do prisma da luta do Bem e do Mal, do confronto entre as boas ações e os pecados, que emana desta obra. A vida humana é o palco da luta das virtudes contra os vícios/pecados (De pugna virtutum adversus vitia). Tudo o que for prazer carnal, é definido como uma armadilha, uma tentação que leva o homem a cair nos braços do Diabo. Para vencer as tentações do Diabo e da carnalidade deve se elevar aos céus, a Deus. A ação humana que rechaça o pecado e se distancia dele é denominada por Isidoro pelo termo-conversão.

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