DO ABANDONO NA LAMA E NO LIXO À EXEMPLAR (E ESPONTÂNEA) ORGANIZAÇÃO URBANA: O CASO DA CONSTRUÇÃO DO BAIRRO DE SANTA RITA, VILA VELHA/ES

Marcelo Sathler

Resumo


Santa Rita é o único bairro canela-verde originado em área alagada sem ajuda do poder público onde lotes equânimes e ruas simétricas e paralelas foram produzidas. Com intuito de compreender como esse manguezal às margens do Rio Aribiri urbanizou-se assim, utilizou-se de levantamento fotográfico, análise documental e, visto escassa informação nos jornais e documentos oficiais encontrada até então, resgate da história oral através da técnica “bola de neve” como procedimentos metodológicos, este empregado, somente, para orientar esta pesquisa em andamento. Os 588 registros fotográficos feitos pelos moradores desde o princípio da ocupação reunidos, discutidos com os mesmos para o reconhecimento dos locais, indicam o embrião do bairro à beira da “estrada velha”, única via onde automóveis trafegavam de Vila Velha à Vitória antes dos anos 50. Em um ponto da margem Norte dessa via havia tal manguezal e, no lado aposto, morros onde terra era extraída para aterros, estes que a movimentação do rio e da maré erodia, fenômeno descrito em matéria jornalística, limitando a ocupação. Isto mudou, segundo entrevistas, após a descarga de lixo na área nos anos 70 (fotografada), pois, além de conter a água, gerando mais área para a instalação de palafitas, forneceu fonte de sobrevivência a famílias envolvidas na migração causada pelo início da operação dos projetos industriais capixabas. Porém, o centro comunitário influenciava na distribuição do lixo e exigia a compra de lotes previamente mensurados antes da ocupação, e atribuise a isso a organização mencionada (busca-se os recibos dessa comercialização). Em 1983, após, conforme relatos, a pressão de movimentos populares de luta por moradia, apoiados por partidos políticos e a igreja católica, uma intervenção municipal identificou 600 famílias em vulnerabilidade e informou o futuro bairro estar 70 cm abaixo da maré máxima, iniciando aterros como política pública para melhoria da condição de vida dos moradores.

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