Orquídeas versus Tartarugas Marinhas: tentando narrar simultaneamente conflitos aparentes e ocultos

Clara Crizio de Araujo Torres, Eliana Santos Junqueira Creado, Jerônimo Amaral de Carvalho

Resumo


O presente artigo constitui um relato e uma análise de Audiência Pública ocorrida no município de Linhares (ES), na Universidade Aberta do Brasil (UAB), ao dia 29 de setembro de 2014, cujo tema em questão era a ampliação e a modificação de uma ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico), localizada na vila do Degredo. A análise focará performances e ações individuais (humanas) surgidas nas falas coletivas ao longo do episódio do evento, mais especificamente, as ações de agentes relacionados à conservação ambiental e agentes cuja atuação basear-se-ia em conhecimentos tecnocientíficos. Será abordado o movimento de agências não-humanas circunscritas nos conflitos desenrolados ao longo do evento e, para além dele, explicando a conjuntura que conformou o antagonismo dos que estavam presentes na audiência: de um lado, os agentes preocupados com a defesa dos interesses ambientais, dentre os quais a conservação de tartarugas marinhas (sobretudo as tartarugas de couro ou gigantes - Dermochelys coriacea), contrários à supressão de área ao sul da ARIE, e, de outro lado, os que argumentavam que a maior justificativa para a alteração era a proteção de orquídeas (Cattleya Guttata Lindl.). No pano de fundo do debate, estava, no entanto, a construção de um porto, cuja presença foi obliterada pelos defensores da modificação da ARIE do Degredo, e trazida à tona na fala de seus oponentes.

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DOI: https://doi.org/10.24305/cadecs.v4i1.14743

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