Ver uma imagem em uma imagem: Husserl

Autores

  • Jacinto Lageira Universidade Paris 1
  • Angela Grando PPGA-UFES

Resumo

A fim de evitar possíveis desvios ou devaneios teóricos e práticos, isso em razão do título, não abordarei diretamente a famosa recomendação feita por Leonardo da Vinci em seus Carnets: "Se você olhar para paredes saturadas de manchas, ou feitas de pedras de espécies diferentes, e que você tenha de imaginar alguma cena, você verá aí paisagens variadas, montanhas, rios, pedras, árvores, planícies, grandes vales e vários grupos de colinas. Vai também descobrir aí combates e figuras com um movimento rápido, rostos de expressões estranhas [...] e uma infinidade de coisas [...]». Nem abordarei diretamente o método de Alexander Cozens, que consiste em criar imagens a partir de manchas espalhadas aleatoriamente em papel ou tela, nem também diretamente as pinturas de Archimboldo ou as de Dalí, nas quais pode-se discernir uma cabeça, uma paisagem, (ou até) personagens constituídas, não obstante, por elementos separados e díspares. O que se denomina paraeidolia – a capacidade de ver todos os tipos de figuras em formas naturais ou artificiais – existe, também, na fotografia, quer se trate da vontade do operador, ou da reconstrução do receptor e, embora esta abordagem incida na possibilidade ilusória e concreta de ver uma imagem em uma imagem – logo um caso, exponencial, é o processo de mise en abyme – não é essa rica problemática que será discutida aqui. Enquanto a paraeidolia se faz pela reunião das similaridades, a abordagem de que se trata aqui é a da analogia das imagens, ou da imagem-analogon, de uma imagem que é, pois, outra em si mesma. [...]

Biografia do Autor

Jacinto Lageira, Universidade Paris 1

Lageira é professor catedrático de Estética e Filosofia de Arte na Universidade Paris 1 Panthé-on-Sorbonne,
professor convidado na Universidade de Coimbra (Colégio das Artes) e crítico de arte. De suas
publicações, constam: L’Image du monde dans le corps du texte (Bruxelas: La Lettre volée, 2003). L’Esthétique
traversée. Psychanalyse, sémiotique et phénoménologie à l’oeuvre (Bruxelas: La Lettre volée,
2007), La déréalisation du monde. Fiction et réalité en conflit (Paris: Jacqueline Chambon, 2010), Regard oblique: Essais sur la perception (Bruxelas: La Lettre volée, 2013).

Angela Grando, PPGA-UFES

Doutorado em Historia da Arte pela Université de Paris I - Sorbonne (2002); Mestrado História da Arte pela - Université de Paris I - Sorbonne (1998); Graduação em História da Arte pela Université Paul Valéry - Montpellier III (1985). Professor Titular da Universidade Federal do Espírito Santo, é Bolsista Pesquisador (BPC) da FAPES, coordena o Laboratório de pesquisa em Teorias da Arte e Processos em Artes - UFES/CNPq. Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Artes - PPGA/UFES (ag.2009- fev.2014), coordenou o Programa de Qualificação Institucional - Convênio: PQI-753/2002 - CAPES (2002-2007), Foi vice-diretora do Centro de Artes/UFES [1996-1998]. É editora da Revista Farol (PPGA-UFES, ISSN 1517-7858); membro do conselho científico da Revista: Estúdio (ISSN1647-6158 e ISSN 1647-7316, Coordenadora adjunta do PPGA/UFES (2016 -). Tem experiência na área de Artes, com ênfase em fundamentos teóricos, história e crítica das artes, atuando principalmente nos seguintes temas: modernismos e vanguardas, poéticas da criação na arte moderna e contemporânea, práticas conceituais e participativas em arte contemporânea, novas mídias na arte.

Publicado

2018-08-10

Edição

Seção

Traduções