Desprendimento em Eckhart como positividade da Forma

Enio Paulo Giachini

Resumo


Este artigo analisa um aspecto contido num pequeno texto da última parte do volume 60 das obras completas de Heidegger (Fenomenologia da vida religiosa), chamado “Irracionalidade em Mestre Eckhart”. O elemento central da análise é “A imediaticidade da vivência religiosa, a vitalidade indomável da entrega ao sagrado, divino, não exclui de si a forma – nem a menção ao caráter genuíno de desempenho – mas nasce como culminação (Aufgipfelung) de determinada teoria do conhecimento e psicologia historicamente condicionadas”. Mostra-se que a experiência religiosa para Eckhart não vai na linha da ascese cristã, da renúncia da vida, mas, ao contrário, o conceito do Desprendimento (Abgeschiedenheit) pode ser visto num projeto de vida positivo de longo fôlego. O aspecto “negativo” da suspensão (epoché) na mística do teólogo turíngio ali é próprio da nomeação e desempenho da criatura, por ser limitada e dependente do ser de Deus. Todo desempenho e compreensão humana não consegue esgotar o ser do criador; todavia, nem por isso deve deixar de fazê-lo. Pelo contrário, deve tentar fazê-lo do modo o melhor possível. Há que se estruturar a vida e o mundo da maneira maximamente perfeita possível, mesmo sabendo, ou justo por saber que isso é “nada” frente à realidade suprema e absoluta. Significa que a experiência religiosa não exclui a forma e o desempenho, mas busca elevá-lo ao seu cume.

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PDF 279-290

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