ABUSO SEXUAL: FORMAÇÃO PROFISSIONAL, CONDIÇÕES DE ENFRENTAMENTO DA PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL E O ADOECIMENTO DO PROFISSIONAL QUE ATUA NO ATENDIMENTO ÀS VÍTIMAS

Elizabeth da Silva Alcoforado

Resumo


O presente artigo é fruto da tese de doutorado em sociologia/UFPB - O PODER NOS MUROS DO SILÊNCIO: abuso sexual, segredo e família, defendida em 2016.

As vítimas de violência sexual nas unidades de saúde e de assistência são sempre acolhidas por uma equipe multidisciplinar. A multiplicidade de olhares para uma mesma questão – o abuso sexual – favorece a compreensão deste problema como multifacetado. Como pontuou Azevedo e Guerra (2007), a vítima de abuso sexual apresenta-se como uma síntese de comorbilidade, ou seja, a vítima nunca se apresenta apenas com uma única modalidade de violência, mas como uma síntese de modalidade de violência intrafamiliar que será revelada no contato e na escuta qualificada da equipe multidisciplinar. A revelação da violência sexual, mediante relato da vítima junto aos profissionais qualificados, possibilita também a exposição de toda uma dinâmica da violência doméstica. Neste sentido, a atuação em rede é um ponto crucial, visto que várias demandas se apresentam, requerendo com isso que o trabalho seja fortalecido entre os técnicos de atendimento direto, como também com a equipe de referência e contra referência. Trabalhar com a dor do outro não representa uma tarefa fácil para as equipes multidisciplinares no setor de saúde e assistência social. As dificuldades de operacionalizar as ações por limitações institucionais, de formação, de apoio e falta de capacitação adequada, muitas vezes, leva a própria equipe a buscar formas criativas para suportar o peso do cotidiano permeado por histórias de violências. 


Palavras-chave


Violência Sexual Intrafamiliar; Equipe multidisciplinar;Adoecimento profissional.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, Giovanni. Trabalho e Subjetividade: o espírito do toyotismo na era do capitalismo manipulatório. São Paulo: Boitempo, 2011.

AMARO, Sarita. Crianças vítimas de violência: das sombras do sofrimento à genealogia da resistência: uma nova teoria científica. 2. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2011.

ARRAZOLA, Laura Susana Duque. O cotidiano sexuado de meninos e meninas em situação de pobreza. In: FELICIA, Reicher Madeira. Quem mandou nascer mulher?: estudo sobre crianças e adolescentes pobres no Brasil. Rio de Janeiro: Record Rosa dos Ventos, 1997.

AZEVEDO, Maria Amélia; GUERRA, Viviane Nogueira de Azevedo. (Orgs.). Crianças vitimizadas: a síndrome do pequeno poder. São Paulo: Iglu, 1989, 2007.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 12.435, de 6 de julho de 2011. Altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social. Brasília (DF), 2011. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-/2014/2011/lei/l12435.htm >. Acesso em: 17/03/2018.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências. Brasília (DF), 1993. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2017.

CARVALHO, Maria do Carmo Brant. A ação em rede na implementação de políticas e programas sociais públicos. Revista de Información del Tercer Sector, Madrid, abr. 2003.

Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2017.

ELIAS, Nobert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.

FERREIRA, Kátia Maria. Violência Doméstica/Intrafamiliar contra crianças e adolescentes. In: SILVA, Lígia Maria Pereira da. Violência doméstica contra crianças e adolescentes. Recife: Edupe, 2002.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Belo Horizonte: Graal, 1999.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. 24.ed. Petrópolis: Vozes, 2005.

FURINI, Luciano Antonio. Redes sociais de proteção integral à criança e ao adolescente: falácia ou eficácia. São Paulo: UNESP, 2011.

GUERRA, Viviane Nogueira de A. (Orgs.). Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1998.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnicas e tempo, razão e emoção. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2006.

VELÁZQUEZ, Susana. Violencias y famílias implicancias del trabajo profissional: el cuidado de quienes cuidan. Buenos Aires: Paidós, 2012.




DOI: https://doi.org/10.22422/temporalis.2018v18n35p372-381

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


INDEXADORES:

Latindex: http://www.latindex.unam.mx/

Dialnet: http://dialnet.unirioja.es/servlet/revista?codigo=19796

IndexCopernicus: http://journals.indexcopernicus.com/passport.php?id=8544

Portal de periódicos da Ufes: http://peridicos.ufes.br

Diadorim-IBICT: http://diadorim.ibict.br/handle/1/319

LICENÇA:

CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/