Educação superior e desenvolvimento social no estado da Bahia: um estudo sobre as universidades estaduais baianas

Autores

  • Patricia Lessa Santos Costa Universidade do Estado da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.22422/2238-1856.2012v12n23p171-204

Resumo

Este trabalho analisa a temática da ação participativa no âmbito da cultura cívica. O objeto empírico eleito para o estudo é o processo histórico de criação e consolidação das quatro universidades estaduais da Bahia (UNEB, UEFS, UESC e UESB) a partir da década de 60, como expressão de setores da sociedade civil, em diversas regiões, pela conquista do direito à educação universitária. O pressuposto mais geral orientador do trabalho é de que o desenvolvimento de uma sociedade depende de que os indivíduos se orientem coletivamente em torno de princípios e valores, expressos a partir da formação das identidades coletivas, com vistas a alcançar direitos e condições de reprodução de vida, favorecendo, assim, o desenvolvimento de uma vida sociopolítica democrática. Esse tipo de ação se contrapõe à tradição brasileira em que a emergência de uma cultura cívica pluralista tem sido dificultada por uma sociedade elitista e segmentada em torno de desigualdades diversas, seja no acesso às agências públicas, seja com relação à própria integridade do cidadão (fome, segurança, saneamento, infraestrutura urbana e rural, etc.), seja pelo não reconhecimento dessas desigualdades que inferiorizam e também das diferenças. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que englobou o levantamento e a análise de conteúdo de informações oriundas de entrevistas com os atores que protagonizaram tal empreendimento, bem como de documentos. O estudo revela a visão que esses indivíduos têm desse processo e como avaliam a universidade que ajudaram a edificar, produto do seu protagonismo. No caso das quatro universidades baianas, que apresentam perfis e processos históricos diferenciados, a criação remonta à trajetória nacional de incentivo à formação de professores para o ensino médio e de profissionais para a indústria crescente, trajetória essa iniciada na década de 50 e consolidada nas décadas seguintes. No bojo do período desenvolvimentista, ganhou impulso o processo de luta por um reconhecimento das demandas regionais por educação, com vistas à inclusão cultural, por parte dos pioneiros dessa iniciativa nas várias regiões da Bahia. São intelectuais, educadores, políticos, líderes comunitários e religiosos que constituíram um movimento irradiador do desenvolvimento a partir da universidade.

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Biografia do Autor

Patricia Lessa Santos Costa, Universidade do Estado da Bahia

Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia. Professora do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, Área: Sociologia.

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Publicado

2012-08-27

Edição

Seção

Seção Temática