Crédito para os trabalhadores e sua funcionalidade para o capital

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22422/2238-1856.2015v15n30p93-118

Resumo

Este artigo tem por objetivo apresentar análise sobre a funcionalidade do crédito, em especial do crédito para os trabalhadores. O contexto da acumulação de capital nos últimos quarenta anos está pautado pelo protagonismo do capital financeiro, em especial o capital portador de juros. É nesse contexto que o sistema de crédito, em suas diversas formas, se expande para os trabalhadores e acirra um duplo movimento, qual seja, aumento do consumo e expansão do capital bancário. No Brasil as políticas de crédito para os trabalhadores ganham novo impulso e aparecem no discurso do Estado como um novo direito a partir dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) que fecham o ciclo da estruturação do país para a abertura financeira e expandem a ‘subserviência’ ao grande capital. Podemos, portanto, inferir que o crédito além de permitir aos trabalhadores o consumo de mercadorias, que o salário não pode garantir de imediato, é um mecanismo imprescindível para sustentar a rentabilidade do capital que porta juros e manter elevada a taxa de lucro. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rivânia Moura, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e doutoranda em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Referências

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Pronunciamento do Presidente do Banco Central, Dr. Henrique Meirelles, no Seminário “Economia Bancária e Crédito”. São Paulo, 2003a. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pec/appron/Pron/Port/sem_econ_banc_credito.pdf> Acesso em: 6 ago. 2014.

______. Economia bancária e crédito: avaliação de 4 anos do projeto juros e spread bancário. 2003b. Disponível em: < https://www.bcb.gov.br/ftp/rel_economia_bancaria_credito.pdf> Acesso em: 20 ago. 2014.

BAUMAN, Zygmunt. Vida a crédito: conversas com Citlali Rovirosa-Madrazo. Tradução Alexandre Werneck. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

BEHRING, Elaine. Acumulação capitalista, fundo público e política social. In: BOSCHETTI, Ivanete et al. (Orgs.). Política social no capitalismo: tendências contemporâneas. São Paulo: Cortez, 2008.

BRENNER, Robert. O bom e a bolha: os Estados Unidos na economia mundial. Tradução: Zaída Maldonado. Rio de Janeiro: Record, 2003.

CONTEC. Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito. O endividamento das famílias no Brasil. Boletim Econômico, São Paulo, n. 74, p. 1-8, jun. 2014. Disponível em: < http://www.contec.org.br/attachments/article/11594/Boletim%20Econ%C3%B4mico%20CONTEC%20n%C2%BA%2074.pdf> Acesso em: 10 set. 2014.

GONÇALVES, Reinaldo. O desenvolvimento às avessas: verdade, má-fé e ilusão no atual modelo brasileiro de desenvolvimento. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

MANDEL, Ernest. O capitalismo tardio. Tradução de Carlos Eduardo Silveira Matos, Regis de Castro Andrade e Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Tradução: Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. Livro 1, v. 1.

______. O capital: crítica da economia política. Tradução: Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988a. Livro 1, v. 2.

______. O capital: crítica da economia política. Tradução: Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988b. Livro 2.

______. O capital: crítica da economia política. Tradução: Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988c. Livro 3, v. 4.

______. O capital: crítica da economia política. Tradução: Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988d. Livro 3, v. 4.

PAULANI, Lêda. Brasil delivery: servidão financeira e estado de emergência econômico. São Paulo: Boitempo, 2008.

TONET, Ivo. Democracia ou liberdade? Maceió: EDUFAL, 2004.

Downloads

Publicado

2016-01-08