MICROCRÉDITO, INFORMALIDADE E “COMBATE À POBREZA”

Autores

  • Vicente de Paulo Colodeti Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo
  • Izildo Corrêa Leite Universidade Federal do Espírito Santo - Departamento de Ciências Sociais; Programa de Pós-Graduação em Política Social

DOI:

https://doi.org/10.22422/2238-1856.2012v12n24p385-406

Resumo

Com base em pesquisa bibliográfica e documental, este artigo tem como objetivo abordar as relações entre microcrédito, informalidade e pobreza, analisando-se as potencialidades/limitações do primeiro no enfrentamento da pobreza, no Brasil de hoje. Conclui-se que predominam as limitações, em virtude dos seguintes motivos principais: 1) o número de tomadores de microcrédito atendidos é muito reduzido, proporcionalmente às amplas dimensões da pobreza; 2) parte significativa dos tomadores não faz parte dos segmentos mais pobres da população, que deveriam merecer prioridade em políticas de redução da pobreza; 3) a concessão de microcrédito insere-se num conjunto maior de políticas de Estado que não contribui para a dimininuição das desigualdades.

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Biografia do Autor

Vicente de Paulo Colodeti, Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo

Graduado em Ciências Sociais e Mestre em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo

Izildo Corrêa Leite, Universidade Federal do Espírito Santo - Departamento de Ciências Sociais; Programa de Pós-Graduação em Política Social

Doutor em Sociologia pela UNESP (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), Campus de Araraquara (SP). Professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Política Social da UFES.

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Publicado

2012-11-04

Edição

Seção

Artigos de Temas Livres